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EM LISBOA E VALE DO TEJO, NOVAS CASTAS PARA NOVOS VINHOS - Em demanda dos segredos da evolução natural da videira portuguesa

Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural Vencedor

Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural

Imagem do projeto

O reconhecimento da qualidade e valor dos vinhos portugueses assenta no uso de castas autóctones, exclusivas de Portugal, como a Touriga Nacional, o Arinto, a Trincadeira ou o Sercial, ao contrário de outros países que apostaram em castas-padrão distribuídas por todo o mundo, casos do Merlot, do Riesling, ou do Pinot Noir.
Este é um setor importante, cujo tecido social em Portugal representa cerca de 100 000 famílias, 60 000 viticultores, 12 000 trabalhadores em 880 empresas na produção de vinho e 1 500 empresas dedicadas em exclusivo ao comércio de vinhos. A área de vinha em Portugal Continental e Ilhas ocupa cerca de 190 000 hectares e o balanço comercial gerado pelas vendas de vinhos ultrapassa 617 milhões de euros, com o aumento recente das exportações a testemunhar o grande reconhecimento mundial da sua qualidade.

Um Mundo de Diferença
É a multiplicidade de castas nas vinhas portuguesas que confere distinção aos vinhos portugueses e os tornam apreciados dentro e fora de fronteiras por todos os gostos e preferências. São elas que tornam os vinhos de Portugal uma experiência emocionante de descoberta e surpresa, suportando a nossa mensagem para os apreciadores: Portugal, um Mundo de Diferença!
Portugal é o país da União Europeia que apresenta o maior número de castas de uva autóctones quando comparado à área do seu território. Apenas a Itália se aproxima, mas mesmo assim apresentando um valor que é um terço do português; a França e a Espanha têm 6 vezes menos e a Alemanha quase 40 vezes menos!

Um berço de castas únicas
Isto acontece porque o próprio território português é a origem geográfica natural da maior parte das castas usadas nos nossos vinhos. O que equivale a dizer que são portuguesas porque nasceram neste «jardim à beira mar plantado…».
O processo de diversificação não parou; antes está em curso como sempre aconteceu no nosso território desde tempos ancestrais e, potencialmente, podem existir dezenas de castas desconhecidas por entre as mais antigas vinhas que ainda subsistem em Portugal. As novidades que essas castas desconhecidas podem trazer são um mundo novo por descobrir… podem trazer novos aromas e sabores para novos vinhos, podem ajudar na adaptação às alterações climáticas, podem ser fonte de substâncias importantes para farmacêutica, cosmética ou nutrição…
Para se aceder a essas potenciais novidades, o primeiro e mais importante passo é procurar videiras estranhas em vinhas muito velhas do país inteiro, trabalho já feito, estando as plantas guardadas num Pólo Experimental adequado. A forma mais eficiente de esclarecer a identidade dessas plantas é analisar o seu ADN e compará-lo com o das castas já conhecidas. Sempre que não se encontrar uma correspondência, estar-se-á na presença de uma casta antes desconhecida, podendo chegar-se à identificação dos seus progenitores. Poderá então continuar-se com a sua caracterização do ponto de vista agronómico e enológico para esclarecimento do seu interesse económico para o setor vitivinícola nacional.

Lisboa tem condições para contribuir
Há 4 décadas que o Instituto Superior de Agronomia e estruturas do Ministério da Agricultura (município de Lisboa), colaboram com empresas, universidades e associações técnicas em trabalhos pioneiros sobre a diversidade da videira.
A Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira – PORVID conserva (no município de Palmela) uma das maiores coleções de genótipos da videira no mundo, recuperados maioritariamente em vinhas antigas de todo o país onde a diversidade ancestral se encontrava intocada no momento da recolha. É nessa coleção de videiras conservadas, mas ainda não estudadas, onde, potencialmente, existe a maior probabilidade de se encontrarem castas desconhecidas, oriundas de cruzamentos naturais. Um recurso único no mundo!
O impacto destas descobertas terá incidência noutros municípios da região com importante atividade vitivinícola. Bucelas, Carcavelos, Colares, Setúbal, Montijo e Pegões asseguram a produção de vinhos e aguardentes de renome.

Uma rara janela de oportunidade…
Novas castas significam novas oportunidades de inovação e maior competitividade nos mercados, sustentando, para o futuro, o bom desempenho económico que o setor vitivinícola nacional vem realizando. Por este trabalho, realizado em Lisboa, todo o país sairá beneficiado pelas externalidades geradas.
Um financiamento de 300 000 euros permitirá realizar a análise de 10 000 daquelas videiras conservadas, usando os meios disponíveis em instituições científicas. Pode-se antecipar que a análise de milhares de videiras possa enriquecer o já de si vasto portfolio de castas portuguesas, confirmando Portugal como uma verdadeira Arca de Noé da videira onde uma viticultura moderna, desenvolvida e eficiente soube respeitar para beneficiar do processo natural de evolução da espécie.
Não avançar agora, significa perder definitivamente um legado intemporal para as gerações futuras.

Proponentes do projeto
  • António Américo da Rocha Graça
  • José Manuel Meneres Manso
  • Antonio Fontainhas Fernanades
Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural Vencedor

Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural

  • Orçamento
    200000 €
  • Âmbito do Projeto
    Regional
  • Região onde aplicar
    Área Metropolitana de Lisboa
  • Municípios onde aplicar

    Lisboa, Loures, Oeiras, Sintra, Montijo, Palmela, Setúbal

  • Prazo
    24 meses
  • Links do projeto

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