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DOTAR CONSTÂNCIA E O MÉDIO TEJO COM A CASA DE CAMÕES QUE PORTUGAL NÃO TEM

Cultura

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ENQUADRAMENTO
Constância e o Tejo têm uma profunda relação de afeto com a memória de Camões, como nenhuma outra terra em Portugal. Uma muito antiga e arraigada tradição, passada de geração em geração, afirma que o poeta, sendo ainda jovem, terá vivido durante algum tempo em Punhete, como a povoação então se chamava. Essa tradição surge comprovada e documentada no século XIX, através da ata de uma sessão extraordinária da Câmara Municipal de Constância, realizada em 11 de junho de 1880 para, no contexto das comemorações que então ocorriam em vários pontos do país, homenagear o épico no tricentenário da sua morte. Afirmava essa ata ser «certo o dizer-se que Luís de Camões residira por algum tempo nesta povoação, que talvez aqui, pungido de saudades, inspirado nas tristezas do exílio e na doce verdura destes vales amenos que o Tejo banha, meditasse e escrevesse algumas das suas elegias». Ainda no século XIX, vários estudiosos, com destaque para o Visconde de Juromenha [1807-1887], defenderam e procuraram demonstrar a presença de Luís de Camões em Punhete cerca de 1550. Em meados do século XX, Adriano Burguete [1872-1956], desenvolveu um notável trabalho, publicando estudos da obra de Camões, na perspetiva de identificar relações com Constância e a região. Desenvolvendo esse trabalho, a jornalista Manuela de Azevedo (1911-2017] promoveu inúmeros estudos, com destaque para a obra Da Investigação Histórica sobre a Casa de Camões em Constância de Maria Clara Pereira da Costa [1977], igualmente se lhe devendo a fundação da Associação para a Reconstrução e Instalação da Casa-Memória de Camões em Constância [1977]. Foi sobre as ruínas consolidadas da casa, comprovadamente quinhentista (classificadas como imóvel de interesse público em 1983), que se ergueu a Casa-Memória de Camões, segundo um projeto da Faculdade de Arquitetura de Lisboa.
Virada ao Tejo, que o épico tanto cantou e cujas tágides o inspiraram, a Casa-Memória de Camões é um edifício que se desenvolve em cinco pisos. Dispondo de um bom auditório, de excelentes condições para o desenvolvimento de um discurso museológico e estando por abrir ao público há quase 20 anos, parece-nos, por isso, poder suprir a falta de uma Casa em Portugal dedicada à memória de Camões e à relevância da sua obra e da nossa língua.
OBJETIVO
É desejável que a organização da Casa-Memória de Camões responda aos interesses e às necessidades de quatro tipos de público: o público escolar; o público local; o público turista; o público especializado.
Contemplando estes diferentes públicos, pretende-se, de uma forma geral, relevar a dimensão universal da epopeia camoniana e da língua e da cultura portuguesas e, em particular, salientar a ligação do poeta com Constância e os territórios à beira do Tejo, por ele tão cantado e evocado.
CONTEÚDOS
Dispondo o edifício da Casa-Memória de cinco pisos, propõe-se a sua organização da seguinte forma:
Piso 0 – Os desterros do Poeta. Trata-se do piso inferior, em zona de cheia. É a parte da Casa-Memória onde são visíveis as ruínas da casa quinhentista que Camões terá habitado durante o seu desterro em Punhete (Constância). Neste espaço é indispensável a utilização de recursos amovíveis, devido ao risco de cheia.
Piso 1 – Espaço da Educação. Pretende-se organizar neste piso um espaço lúdico-prático destinado ao desenvolvimento de atividades com alunos das escolas. É fundamental a existência de um Serviço Educativo que conceba e dinamize essas atividades, em estreita articulação com as visitas ao Jardim-Horto de Camões.
Piso 2 – Sinais de Camões em Constância. É neste piso, o mais amplo dos cinco, que se localiza a principal entrada da Casa-Memória. A intenção é que, através de objetos, de exposição documental e fotográfica em suporte vertical, de um vídeo e de meios interativos, nele se trate da relação de Constância e do Tejo com a memória de Camões. Ainda neste piso, pretende-se instalar o Centro de Documentação Camoniana, com base no espólio pertencente à Associação.
Piso 3 – Camões, a vida e a época. Com recurso a exposição documental e a meios interativos, pretende-se abordar, neste piso, o Poeta, a sua vida e a sua obra, bem como a universalidade da língua e da cultura portuguesas.
Piso 4 – A Associação. Neste piso há o auditório, com capacidade para 60 pessoas. Utilizando um expositor já existente, pretende-se, em linhas gerais, referir o trabalho desenvolvido, ao longo dos seus 40 anos de vida, pela Associação Casa-Memória de Camões em Constância.
É evidente a importância que terá a instalação da Casa-Memória de Camões e a sua dimensão regional (e até mesmo nacional), em articulação com outros recursos culturais locais e regionais já existentes. Este é um projeto de grande relevância para o desenvolvimento sociocultural, económico e turístico da região do Médio Tejo e um contributo significativo para o conhecimento, valorização e divulgação de Camões, da sua vida, da sua obra e da sua época, dignificando a região e o país.

Proponentes do projeto
  • Maria Manuela de Oliveira Arsénio
Cultura

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  • Orçamento
    250000 €
  • Âmbito do Projeto
    Regional
  • Região onde aplicar
    Centro
  • Municípios onde aplicar

    Abrantes, Constância, Vila Nova Da Barquinha

  • Prazo
    24 meses
  • Links do projeto

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