#442

Ciências às Garfadas

Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Feche os olhos e imagine uma travessa de Farófias! As nuvens de claras, com uma textura muito agradável, regadas com um delicioso leite-creme, bem amarelinho e docinho, e por cima um pouco de canela. Maravilhoso, não é? Traz-nos boas recordações, faz-nos lembrar as festas de família com todas as emoções associadas. Mas, alguma vez pensou em associar ciência, e particularmente química, a esta travessa de farófias? Questionou-se porque lhe dizem para adicionar umas gotas de sumo de limão ou uma pitada de sal quando se batem as claras em castelo, e para não o fazer numa tigela de plástico? Como estes, existem muitos outros truques culinários que podemos questionar como, por exemplo, porque se bate no polvo antes de o cozer, porque se adiciona ananás em lata à gelatina ao invés deste fresco, ou ainda porque flutua o ovo quando está estragado, porque ficam louras as batatas fritas ou porque explode o milho das pipocas? Sabia que todas estas questões podem ser explicadas cientificamente?
O objectivo da presente proposta é proporcionar aos mais jovens, em ambiente escolar, uma explicação rigorosa e científica dos fenómenos culinários, com uma abordagem diferente da habitual, envolvendo um caráter lúdico. Pretende-se assim despertar o interesse para a ciência em geral, e para a química, física e microbiologia, em particular, diretamente associadas aos processos aqui descritos. Neste contexto, propõe-se a deslocação às escolas de equipas com competências naquelas áreas do saber, num “laboratório ambulante”, permitindo com experiências culinárias simples e adaptadas às diferentes faixas etárias, proporcionar uma reflexão e explicação com base científica. Mais do que isso, uma vez que a cozinha é para todos, é importante que os mais velhos, pais, tios e avós, portadores de conhecimentos ancestrais inimagináveis, os possam transmitir aos mais novos. Seriam assim realizadas também sessões de natureza mais familiar promovendo o diálogo inter-geracional, com recolha de “segredos de cozinha”, sem esquecer a explicação científica num caminho de descoberta em comum. Descoberta dos porquês e também da origem primária (vegetal, animal ou outra) dos alimentos e de como são produzidos na forma em que os ingerimos: de onde vêm as alfaces, o leite e as conservas? Para além do desejável incremento da literacia científica, o saber mais torna-nos mais conscientes, habilitando-nos a fazer escolhas e a atuar de forma crítica, valorizando e apreciando melhor o que comemos, adotando hábitos alimentares mais saudáveis e ambientalmente sustentáveis.
Voltando às farófias, que grande criatividade em dar nomes, como claras em castelo, papos de anjo, barrigas de freira, sonhos… e, tantas emoções associadas! Partilhar alimentos leva a que se criem laços emocionais. A forma como cada povo se alimenta, reflete a sua cultura. O atual ambiente escolar multicultural, permitirá troca de experiências associadas a diferentes hábitos alimentares. Da partilha dos alimentos partir-se-á para a partilha dos costumes e culturas, gerando um ambiente propício à boa integração de todos, numa socialização que promoverá o bom relacionamento entre os diferentes intervenientes, chave para compreender melhor o mundo em que vivemos.
As sessões promovidas no âmbito da proposta terão sempre uma componente prática de culinária assente nos alimentos e na sua preparação, acompanhadas de uma componente científica, em que serão apresentados e discutidos conceitos relevantes para melhor entender ingredientes e técnicas. A conversa decorrerá “à volta de uma mesa”, partilhando os alimentos preparados, desmistificando a imagem do cientista, percebendo que todos podemos ser protagonistas de ciência, e que afinal a mesa da cozinha é uma bancada de laboratório. Todas estas experiências culinárias, os segredos partilhados pelos mais velhos e as propostas e questões dos mais novos serão partilhadas numa página a criar nas redes sociais e posteriormente reunidas numa publicação a editar no final deste projeto. O orçamento solicitado visa a montagem de um laboratório ambulante apetrechado com equipamento para as sessões de culinária e para a ilustração dos conceitos científicos com instrumentação científica adequada.

Proponentes do projeto
  • Maria Paulina Estorninho Neves da Mata
  • Maria Madalena Alves Campos de Sousa Dionísio Andrade
  • João Carlos da Silva Barbosa Sotomayor
  • Teresa Margarida Lopes Martins Cordeiro
  • Bruno Miguel Fernandes Campos
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

  • Orçamento
    53714 €
  • Âmbito do Projeto
    Regional
  • Região onde aplicar
    Área Metropolitana de Lisboa
  • Municípios onde aplicar

    Amadora, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Odivelas, Oeiras, Sintra, Vila Franca De Xira, Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal

  • Prazo
    24 meses
  • Links do projeto

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