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Agueiros - O que são, o que os origina, como se identificam e o que fazer se for apanhado num Agueiro?

Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

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Imagem do projeto

Apesar das campanhas levadas a cabo pelo Instituto de Socorros a Náufragos - ensinando a reconhecer as correntes de retorno concentrado, vulgarmente designadas por “AGUEIROS”, como evitá-las ou como delas sair, se inadvertidamente se entrar numa – em 2017, cerca de 30% das 112 mortes por afogamento em Portugal estiveram relacionadas com estas correntes. Os utentes das praias continuam sem uma ideia clara da intensidade e localização da corrente de deriva e dos agueiros. Preferindo as zonas onde a rebentação lhes parece mais fraca, os menos experientes (ou menos informados) entrem frequentemente na água diretamente num agueiro. Noutros casos, deixam-se transportar ao longo da praia pela corrente de deriva até entrar num agueiro. Quando sentem que estão a ser arrastados para o largo, tentam nadar contra a corrente, não tendo consciência de que não é possível vencê-la nadando. Sentindo-se derrotados, entram em pânico, cansam-se e poderão acabar por se afogar.
Ora, NINGUÉM TEM QUE AFOGAR-SE NUM AGUEIRO!
Mas, nos últimos dois anos, ocorreram também afogamentos fora da chamada “época balnear”, porque houve tempo favorável à ida à praia no início da primavera, quando a praia submersa ainda apresentava o perfil de inverno, escondendo perigos desconhecidos para o “banhista de verão”, bem como para os turistas vindos da Europa Central. O início tardio da “época balnear” oficial potenciou os perigos. Em 2018, este início será antecipado para maio, por decisão da Autoridade Marítima. Mas, só por si, esta decisão não elimina os perigos.
Com efeito, os Nadadores Salvadores estão essencialmente formatados para a praia de verão, constituindo os agueiros o principal perigo a que têm que estar atentos. Mas se bem que estejam informados sobre os agueiros e respetivos canais de alimentação, será que estão conscientes das velocidades das correntes que os constituem? E que, por ação de sucessivos temporais se foi frequentemente formando, durante o inverno, uma barra ao largo, delimitar externamente um fundão, a partir do qual se ergue uma escarpa submersa em direção à praia, a qual não é percetível da praia? E que, por a agitação ter promovido o transporte de grande parte dos sedimentos finos para o fundão, o bordo da escarpa ficou mais suscetível à desagregação por efeito direto da rebentação, o que facilmente induz quedas de alguém surpreendido por uma onda em espraio?
• Propõe-se que os cursos de formação dos nadadores salvadores passem a incluir acções de observação directa da circulação litoral, recorrendo a flutuadores derivantes como os concebidos pela engenharia portuguesa, na Universidade do Porto (FEUP), que estão na base de um projeto H2020. Essas observações seriam sustentadas por uma vintena desses flutuadores, a adquirir, que poderiam ficar a cargo da Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (FEPONS) para serem utilizados nas escolas. As observações seriam realizadas com a orientação técnica dos organismos científicos da Marinha e enquadradas pela Autoridade Marítima, recorrendo ao apoio do Instituto de Socorros a Náufragos.

• Propõe-se ainda que uma outra vintena de flutuadores sejam adquiridos para ficar à guarda do Ciência Viva que estimularia junto das escolas secundárias e organizações de cidadania, e em conjunto com a Marinha e a Autoridade Marítima demonstrações visando a promoção de comportamentos responsáveis tendentes a aumentar a segurança nas praias.

Ambos os tipos de ações seriam convenientemente complementados com observações visuais da evolução dos flutuadores realizadas a partir de veículos aéreos não tripulados. Dessas observações resultariam vídeos técnicos de cariz pedagógico que poderiam ser usados em cursos de formação, demonstrações em anos posteriores, bem como para divulgação pelos diversos canais de comunicação autárquico no óptica de utilização da praia de forma mais segura.
Julga-se exequível a realização de 5 ou 6 ações de cada tipo em cada um dos anos 2019 e 2020, cobrindo escolas de nadadores salvadores e iniciativas do Ciência Viva. Findo o projeto, os flutuadores ficariam à guarda da FEPONS e do Ciência Viva, que teriam adquirido também instrução sobre a metodologia de condução das observações, para serem usados em anos futuros, sempre com o apoio da Marinha e da Autoridade Marítima.

Proponentes do projeto
  • António Pedro Maia Brasil
  • António Jorge da Silva
  • José Aguiar
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

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  • Orçamento
    63000 €
  • Âmbito do Projeto
    Nacional
  • Regiões onde aplicar
    Centro, Área Metropolitana de Lisboa
  • Prazo
    24 meses
  • Links do projeto

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