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Sapos, Lagartos e Ciência

Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Imagem do projeto

A nível mundial, o paradigma de ensino tem vindo a mudar, no sentido de promover a literacia científica e a compreensão do mundo real de uma forma mais aplicada e com o aluno a ter um papel mais ativo. Em Portugal, essa mudança, ainda está longe de alcançar o seu pleno potencial. O ensino está cada vez mais desconectado da natureza. Por outro lado, segundo o INE (Instituto Nacional de Estatísticas), a percentagem de população urbana em Portugal mais do que duplicou entre 1960 (35%) e 2011 (72%). Esta migração permitiu a regeneração de habitats naturais em áreas rurais, mas aumentou a pressão sobre as áreas verdes dentro e em torno das maiores cidades. Isto significa que um número crescente de crianças e adolescentes estão a crescer longe da natureza. Uma vez que só protegemos o que amamos e só amamos o que conhecemos, este desenraizamento da natureza coloca desafios à conservação dos ecossistemas e biodiversidade.

Conscientes destas preocupações, propomos o desenvolvimento de uma estratégia orientada para aproximar a educação da natureza e das ciências biológicas a diferentes estratos da sociedade: (1) Crianças e Adolescentes (escolas), (2) Comunidade em geral, (3) Pessoas com dificuldades motoras e cognitivas. Achamos que desta forma, tornamos o ensino e a ciência inclusivos e para todos. Este projeto tenciona levar a ciência às escolas e as populações urbanas: o como se faz ciência, o trabalho de campo e o funcionamento dos ecossistemas, utilizando os anfíbios e os répteis como modelo. Selecionamos os anfíbios e os répteis porque: (1) têm frequentemente populações estáveis em ambiente urbano e (2) são mais frequentemente vistos com preconceito pelo público em geral.

Assim, os objectivos deste projeto, transversais a todos os estratos descritos, são: (1) Desenvolver actividades que explicam a generalidade dos conceitos de biologia, (2) Desenvolver actividades de sensibilização ambiental, (3) Desconstruir mitos sobre anfíbios e répteis, (4) Aumentar a literacia científica em biologia, e em especial em anfíbios e répteis.

No que refere às Crianças e Adolescentes, o projeto será maioritariamente desenvolvido nas escolas. Monitores deslocar-se-ão a escolas de todo o país para organizar actividades adequadas a cada idade escolar. As actividades terão componentes teóricas e práticas, garantindo sempre uma aproximação à natureza, tão negligenciada nos dias de hoje. A biologia é uma matéria que também pode ser abordada de forma tão dinâmica como física e química cujas experiências maravilham sempre desde os mais novos aos mais graúdos. Achamos que as crianças e adolescentes serão os que irão preservar o ambiente de ‘amanhã’, e uma base científica com uma boa extrapolação para o mundo que conhecem, torna-se essencial para que percebam o quê e como preservar.

A estratégia para a Comunidade em Geral incluirá uma sequência de atividades a serem replicadas em diferentes cidades portuguesas: (1) uma palestra inicial, direcionada ao público em geral, acerca da diversidade e grau de ameaça das nossas populações de anfíbios e répteis; (2) oficinas diurnas e noturnas para observação das espécies em ambientes urbanos; (3) uma exposição de um dia, com espécies capturadas no local, em terrário ou aquário, no sentido de promover a curiosidade e interação; (4) a exposição será complementada com pequenas atividades e palestras orientadas para o público geral.

Por fim, a inovação deste projeto passa pelo especial foco que tem nas pessoas com dificuldades motoras e cognitivas, já que usualmente a comunicação em ciência não procura adequar-se às diferentes necessidades e formas de ver o mundo. Monitores unirão esforços com as várias instituições que lidam com as pessoas com necessidades especiais, de forma a desenvolver atividades inclusivas de ciência, em particular biologia. Todas as atividades serão bastante dinâmicas e adequadas a cada grupo de dificuldades, de forma a conseguir que as pessoas fiquem interessadas e motivadas para a aprendizagem.

Com as atividades planeadas, esperamos enriquecer a cultura científica, combater os preconceitos, e mostrar que é possível unir as comunidades em torno da ciência e da conservação da natureza, sem qualquer factor de exclusão.

Proponentes do projeto
  • Iolanda Rocha
  • Neftalí Sillero
  • Raquel Ribeiro
  • Eduardo Ferreira e Verónica Gomes
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

  • Orçamento
    17500 €
  • Âmbito do Projeto
    Nacional
  • Regiões onde aplicar
    Norte, Centro, Área Metropolitana de Lisboa
  • Prazo
    18 meses

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