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Cidadãos Cientistas: Contribuição para um Sistema de Monitorização de Atropelamentos de Animais Silvestres em Portugal

Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

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Imagem do projeto

A fragmentação do habitat devida à construção de infraestruturas de transporte é uma das principais causas de declínio da biodiversidade a nível mundial. Nos últimos anos vários estudos têm revelado os impactos nefastos das estradas para a biodiversidade, particularmente para os animais vertebrados. Diariamente milhões de animais são atropelados mortalmente um pouco por todo o mundo, havendo ainda outros efeitos negativos da presença das estradas que têm um impacto significativo na biodiversidade global. Para compreender melhor esta problemática, e obviar os seus efeitos, devem ser realizados estudos de monitorização dos atropelamentos para que possam ser identificados por exemplo grupos taxonómicos mais vulneráveis, períodos do ano mais críticos e pontos negros de atropelamentos nas diversas redes de estradas. Os dados recolhidos são informação base essencial para o desenvolvimento e implementação de estratégias de mitigação (e.g. construção ou adaptação de passagens inferiores, colocação ou melhoramento de vedações, instalação de placas de sinalização e redutores de velocidade) que possibilitem manter os processos ecológicos e a conectividade entre os dois lados das estradas. Para além disso, os atropelamentos de fauna podem também levantar questões relacionadas com problemas de segurança pública e económicas, pois a colisão com espécies de médio ou grande porte pode causar danos pessoais e/ou materiais.

Devido, nomeadamente, à extensão da rede viária em Portugal e à falta de recursos (técnicos e financeiros), torna-se impraticável um estudo de monitorização no terreno à escala nacional. No nosso país têm sido realizados alguns estudos para monitorizar e analisar os atropelamentos de fauna (e.g. programa de monitorização da Infraestruturas de Portugal, Projeto LIFE Lines da Universidade de Évora, projetos colaborativos entre Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais e o Município de Almada). Porém, com exceção da Infraestruturas de Portugal, estes dados abrangem apenas alguns municípios, não se conhecendo o cenário para grande parte do território e em particular para as estradas nacionais e municipais.

A ciência cidadã é um conceito flexível, que pode ser aplicado a diversas disciplinas. Os projetos de ciência cidadã baseiam-se na participação ativa, consciente e voluntária dos cidadãos que obtêm dados sobre o ambiente que os rodeia. Estes são depois registados e partilhados com o público, permitindo aumentar e melhorar o conhecimento. Nos últimos anos, impulsionado pelo uso mais generalizado das novas tecnologias, têm havido uma maior referência e adesão a este tipo de projetos, aumentando também a ligação e colaboração entre a comunidade científica e a comunidade não científica, respondendo nomeadamente a vários desafios da sociedade.

A proposta aqui apresentada tem o propósito de desenvolver um sistema nacional de observação e monitorização de atropelamentos de animais silvestres, em estradas nacionais e municipais, assente num projeto de ciência cidadã. Este projeto seria desenvolvido por uma equipa de investigadores com experiência nas áreas científicas em questão (nomeadamente ecologia de estradas e ciência cidadã), através da criação de uma página online sobre o sistema a ser criado (relevância, forma de participar, importância da participação), e dinamizado pelos cidadãos que, em qualquer ponto do país, fariam o registo dos animais que fossem encontrando atropelados. Seria estabelecida também uma parceria com uma plataforma online sobre biodiversidade nacional (como o Projeto BioDiversity4All - http://www.biodiversity4all.org) para divulgação do projeto e dos dados georreferenciados, contribuindo assim também para promover o conhecimento sobre a biodiversidade através de uma participação ativa da sociedade civil e da comunidade científica. A participação no projeto aqui apresentado seria gratuita, simples e rápida e qualquer cidadão (de carro, a pé, de bicicleta, etc.) poderia dar o seu contributo. Para além disso, seria também uma forma de sensibilizar as pessoas para o impacto das estradas na biodiversidade e para aumentar o conhecimento a nível nacional nas áreas da ecologia de estradas e da conservação da biodiversidade. Com os dados obtidos, e uma maior abrangência do território, pretende-se compreender melhor o impacto das estradas na fauna, nomeadamente: analisar os grupos/espécies que são mais frequentemente atropelados, investigar alguns padrões espaciais e temporais, compreender melhor os fatores ambientais e da paisagem que influenciam os atropelamentos. Com base nas informações obtidas pretende-se ainda definir e propor às entidades competentes medidas de mitigação que possam reduzir os atropelamentos.

Proponentes do projeto
  • Raquel Mendes
  • Inês Teixeira do Rosário
  • Margarida Santos-Reis
  • Patrícia Tiago
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

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  • Orçamento
    39714 €
  • Âmbito do Projeto
    Nacional
  • Regiões onde aplicar
    Norte, Centro, Área Metropolitana de Lisboa, Alentejo, Algarve, Região Autónoma dos Açores, Região Autónoma da Madeira
  • Prazo
    24 meses

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