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Retro-aranha: melhoria da capacidade de intervenção nas ações de recuperação da floresta autóctone em áreas de montanha

Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural

Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural

Imagem do projeto

Os grandes incêndios de 2017 demonstraram a grande vulnerabilidade do nosso território a fenómenos climáticos extremos, agravada pelo processo de abandono das áreas de montanha. Esta situação não dá, contudo, origem a uma renaturalização por ausência de gestão, mas sim, mais frequentemente, a uma exploração cuja gestão, carente da atenção e do necessário conhecimento, nem permite alcançar resultados produtivos bem-sucedidos, nem deixa que os processos naturais se desenvolvam com sucesso em direção a ecossistemas florestais autóctones, os quais são por natureza resilientes e resistentes a fenómenos extremos.

Quer nas áreas de montanha em que a produção florestal tenha um papel a desempenhar, quer naquelas em que, por inadequação à exploração ou pelo estabelecimento dos necessários compromissos entre produção e conservação, se pretenda conduzir um processo de renaturalização, as condições em que esta se produz devem ser as melhores que consigamos criar, com vista ao mais rápido desenvolvimento possível de formações com boa capacidade para enfrentar ameaças, como o fogo.

Os trabalhos de recuperação da paisagem e da floresta autóctone fazem-se com frequência em terrenos de declive elevado, precisamente os que sofrem de maior impacto biológico e paisagístico na exploração de culturas arbóreas e onde a recuperação da sua função de proteção e conservação é mais difícil. Isto acontece porque os trabalhos de gestão da vegetação espontânea e a introdução de árvores e arbustos têm de ser feitos de forma manual, pois as máquinas de arrasto comuns não conseguem realizar trabalhos nessas áreas. Particularmente a plantação de árvores, com a eventual remoção de plantas de porte arbustivo e a preparação dos locais de plantação, é um trabalho manual extremamente exigente, que nunca pode ser feito com a mesma eficiência de um meio mecânico.

Existe, contudo, uma máquina que poderia dar uma contribuição valiosa neste contexto: a retro-aranha, também conhecida nos países de língua inglesa como “walking excavator” (escavadora andante), uma máquina que se pode deslocar e realizar trabalhos exactamente onde as máquinas mais comuns não o podem fazer. Além disso, esta máquina pode ser equipada com um cabeçal de trabalho duplo, que de forma sucessiva e sem necessidade de duas deslocações ao mesmo local, pode realizar os trabalhos de destroçamento do matagal e preparação do local de plantação.

Ter esta máquina disponível seria uma enorme vantagem para a realização de trabalhos de plantação de árvores, não apenas num contexto de recuperação ecológica, mas mesmo noutros em que se pretendam evitar as custosas e impactantes operações de preparação do solo com formação de socalcos nas encostas declivosas.
Por isso, propomos adquirir e disponibilizar para as regiões norte e centro de Portugal a referida máquina, que não existe no território nacional, fazendo, num primeiro momento, ações demonstrativas das suas potencialidades em três áreas onde já estão em curso trabalhos de restauro ecológico, e para o futuro tornando-a disponível a custos controlados para as regiões montanhosas do norte e centro do país, onde o seu uso seja de valia.

A necessidade de uma tal máquina ser adquirida no âmbito de um OP prende-se com os seguintes fatores:
a) trata-se de uma máquina de preço elevado, sem tradição de uso em trabalhos comuns de preparação do solo para plantação. Note-se contudo que, quando estes trabalhos se desenvolvem em solos de elevado declive, as operações realizadas são invariavelmente de criação de socalcos, operação de elevado impacto paisagístico, que não faz sentido em trabalhos de recuperação ecológica e paisagística e que em muitas situações poderá também não se justificar em situações de plantação de árvores com objetivos de produção.
b) os trabalhos de recuperação ecológica e paisagística, aos quais a máquina se destina prioritariamente, são trabalhos sem retorno financeiro direto e de interesse geral para a sociedade, envolvendo muitas vezes mão de obra voluntária, mão de obra esta cujo valor é potenciado se os trabalhos mais difíceis e pesados forem realizados mecanicamente.

Os promotores:
Paulo Domingues, membro de várias associações da área do ambiente e responsável pelo Projecto Cabeço Santo, do Núcleo de Aveiro da Quercus
Rosa Pinho, bióloga, investigadora no Departamento de Biologia e curadora do Herbário da Universidade de Aveiro
Luís Sarabando, engenheiro florestal e coordenador da Associação Florestal do Baixo Vouga
Ana Matias, comandante dos Bombeiros Voluntários de Anadia

Proponentes do projeto
  • Paulo Henrique Grilo Domingues
  • Rosa Pinho
  • Luís Sarabando
  • Ana Matias
  • Raul Silva
Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural

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  • Orçamento
    300000 €
  • Âmbito do Projeto
    Regional
  • Região onde aplicar
    Centro
  • Municípios onde aplicar

    Águeda, Albergaria-A-Velha, Anadia, Mealhada, Sever Do Vouga

  • Prazo
    24 meses
  • Links do projeto

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