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Os inimigos dos nossos amigos nossos inimigos são! Parasitas de animais de companhia-um caso de Saúde Pública

Saúde

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A contaminação ambiental por fezes de cães e gatos em áreas urbanas e rurais é considerada um factor de risco para a Saúde Pública, uma vez que podem ser portadores de agentes patogénicos transmissíveis ao Homem, entre os quais se encontram várias espécies de parasitas. Algumas zoonoses parasitárias estão associadas ao contacto humano com animais de companhia. Cães e gatos errantes são importantes reservatórios de endoparasitas contaminando locais públicos, expondo outros animais e o próprio homem a um maior risco de infecção parasitária. Embora ainda exista uma grande falta de sensibilização e de divulgação da informação sobre o risco de contaminação ambiental por parasitas cada vez mais se reconhece o interesse dos serviços veterinários de alguns concelhos do nosso país em implementar medidas preventivas e de higiene que visem minimizar aquele impacto em Saúde Pública. Por outro lado, esta repercussão seria atenuada se os donos dos animais assegurassem os espaços públicos limpos dos dejectos e controlassem a saúde, alimentação e bem-estar dos seus animais de estimação. Nas zonas rurais o cuidado com os animais de estimação é muito precário. A população acha uma perda de tempo e dinheiro levar o cão e principalmente o gato ao veterinário e muito menos presta cuidados de prevenção ou desparasitação. Qualquer medida a implementar passa em primeiro pelo conhecimento da situação real e depois pela sensibilização das populações. Para que haja um futuro sustentável é necessária a alteração no comportamento, daí que as actividades propostas devam atingir todas as faixas etárias infantis, assim como os familiares e educadores. É necessário transmitir conhecimento e alertar para uma atitude responsável individual uma vez que, como já foi referido, se trata de uma questão de Saúde Pública. Em relação ao tipo de parasitas já foram efectuados trabalhos em Coimbra e Santarém que demonstraram que as campanhas implementadas são insuficientes, ou não abrangem as áreas de maior risco, nomeadamente bairros periféricos das grandes cidades e zonas rurais. Estudos realizados em Coimbra evidenciaram a presença de parasitas intestinais em 73,4% dos 260 animais estudados. Os resultados das coprologias mostraram 69,6% de amostras positivas, das quais 61,3% eram infecções simples e 38,6% infecções mistas, com mais de uma espécie parasitária. Além dos parasitas identificados em fezes, que foram semelhantes aos encontrados em Santarém, foram postas em evidência microfilárias em 95 amostras de sangue (12,7%) e em 5 citologias de medula óssea pertencentes a animais negativos na pesquisa sanguínea. Da observação das 789 citologias de medula óssea resultaram 232 animais positivos a Leishmania sp. (29,4%). Deste estudo preliminar pode-se inferir a elevada prevalência de parasitoses (algumas delas com importante caracter zoonótico) na população de cães abandonados do concelho de Coimbra. Os principais parasitas encontrados em 2011, em 96 amostras de fezes de canídeos nas quatro freguesias urbanas de Santarém, observaram-se ovos de helmintes e oocistos de protozoários. Identificaram-se também ovos de Taeniidae (Ténias) e Dipylidiidae, Ancylostomatidae, Ascarididae (lombrigas), Trichuridae e Spiruridae e oocistos de Eimeriidae. Predominaram as infecções simples (73,58%), seguidas das duplas (22,64%). Há que ter atenção também aos parasitas externos, carraças, pulgas, ácaros e outros, que podem ser transmissores de doenças provocadas por bactérias e que são graves para o Homem.
O objectivo principal desta proposta é contribuir para o conhecimento dos principais parasitas encontrados nas fezes dos animais errantes e de estimação em Portugal e da consciencialização e sensibilização da população acerca da importância da desparasitação e cuidados veterinários continuados bem como do não abandono através das seguintes actividades/acções:
Avaliar a contaminação ambiental e do parasitismo gastrintestinal dos animais errantes em fezes recolhidas nas vias públicas: identificar as espécies presentes, a sua distribuição espacial e a evolução temporal; identificar as áreas de maior risco, comparando com resultados anteriores, a fim de reavaliar a eficácia das medidas sanitárias implementadas e apresentar novas sugestões
Determinar os cuidados que os proprietários têm, os problemas mais frequentes e quais os métodos de prevenção utilizados. Pretende-se ainda avaliar a fauna parasitária presente em animais seguidos nas clínicas seleccionadas
Criar um conjunto de oficinas/ateliers que serão oferecidas aos jovens do ensino básico e secundário de modo a alertar para a existência de organismos nos animais de estimação que podem ser perigosos para a saúde dos humanos
Organizar acções de formação, sensibilização e divulgação para o público em geral. Um folheto explicativo com os objectivos do projecto será entregue em vários locais chave e as Câmaras Municipais serão mantidas informadas sobre os resultados

Proponentes do projeto
  • Isabel Luci Pisa Mata da Conceição
  • Fernanda Henriques de Jesus Rosa
  • Maria do Céu Sousa
  • Sérgio Eduardo Ramalho Sousa
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  • Orçamento
    50000 €
  • Âmbito do Projeto
    Nacional
  • Regiões onde aplicar
    Centro, Área Metropolitana de Lisboa
  • Prazo
    18 meses

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